Mulheres na imprensa: os desafios das mulheres escritoras do passado e do presente.

Não é nenhuma novidade que o que chamamos de história oficial reproduz discursos que chancelam a ordem vigente, com todos os seus preconceitos, práticas e exclusões a grupos humanos que estão fora do padrão homem-branco-cisgênero-heterossexual. Por muito tempo, a historiografia colaborou para o silenciamento da história de vida de mulheres, negrxs, indígenas e LGBT’s, e mesmo os historiadorxs mais experientes não estão imunes a toda carga de conhecimento preconceituoso que adquirem ao longo da vida.[1] Quando umx pesquisadorx se propõe a estudar a história dos excluídxs, vai se deparar com memórias de resistência que colocam em xeque os discursos do senso comum, que não cansam de repetir jargões de mau gosto, como: “índixs são preguiçosos”, “tem poucas mulheres na ciência porque elas não são racionais”, “negrxs só sabem viver encostadxs em cotas”, “gay só serve para trabalhar em salão de beleza, cozinha e passarelas”, “travestis são todas prostitutas. Assumir um trabalho honesto nenhuma quer”, e por aí vai.

Ignorar a existência de forças de coerção que empurram essxs indivíduxs para a marginalidade é muito mais fácil do que tentar entender porque as mulheres não são incentivadas a serem cientistas, porque negrxs precisam de cotas para entrar na universidade, quais as dificuldades de uma travesti para adentrar o mercado de trabalho formal. E mesmo aquelxs que fogem do limbo que lhes é reservado, ainda precisam provar constantemente que merecem estar ali. Como acadêmica, já ouvi inúmeros relatos de mulheres que foram assediadas dentro das universidades. Como curiosa, já ouvi inúmeros relatos de pessoas trans* que não conseguem um emprego formal. Como testemunha, já vi inúmerxs negrxs que, se não fossem por medidas como cotas raciais e Prouni, não estariam cursando uma graduação. Como amiga, meus ouvidos já serviram aos desabafos de amigos gays que acordavam levando porrada antes mesmo de ir para a escola.

Quando criança, todxs nós sonhamos com o que queremos ser quando crescer. E quantxs escritorxs, cientistas, professorxs, veterinárixs e presidentes existem por trás do olhar do seu jardineiro, da sua empregada, da telemarketing que te enche o saco no sábado de manhã? Cada pessoa tem uma história de vida para contar, que volta e meia a sociedade pisoteia e joga para debaixo do tapete.

Com isso, quero chamar a atenção para aquelas mulheres que não pouparam esforços para adentrarem o mercado editorial. Quando falamos em mulheres jornalistas, a primeira imagem que nos vêm à cabeça é de uma colunista de revista feminina que escreve sobre moda, relacionamentos, dicas de beleza e cuidado com os filhos. Nos grandes veículos de comunicação, como a revista Veja, Istoé, Época e Folha de São Paulo, são poucas as mulheres escrevendo sobre política, ciência, mercado de trabalho e economia. E mesmo nos veículos de esquerda comprometidos com os movimentos sociais, como a Revista Fórum e a Carta Capital, o número de jornalistas homens é superior ao número de mulheres.

Esse problema do mercado editorial brasileiro não é recente, sendo possível apontá-lo no surgimento da imprensa no país. Com a chegada da família real portuguesa no século XIX, o Brasil entrou em um ritmo de modernização nunca antes visto. Tivemos um grande crescimento demográfico, sobretudo nos centros urbanos,[2] e se durante o Brasil colônia a nossa economia era majoritariamente rural, no final do século começamos a testemunhar a industrialização. Foi em meio a esse cenário de transições que a imprensa brasileira surgiu, trazendo do exterior inúmeras ideias a serem consumidas pela nossa elite intelectual, como o positivismo e o liberalismo, e em certa medida o feminismo também. Mas se o positivismo e o liberalismo correspondiam aos ideais de progresso de uma elite letrada, masculina e branca, o feminismo já era retratado como uma abominação que transformaria as dóceis mulheres brasileiras em seres masculinizados, doentes e desviados do seu papel “natural” de esposa e mãe.

As primeiras feministas do país tiveram que se esforçar para publicar seus textos sobre igualdade de gênero. Sem a oportunidade de escreverem nos grandes veículos de comunicação da época, como o Jornal do Commercio, Diário de Pernambuco e O Paiz, as que tinham condições financeiras fundaram seus próprios jornais, cujas edições defendiam o sufrágio universal, o direito à educação, ao trabalho, à independência financeira e ao divórcio. A maioria publicava sob anonimato, temendo as represálias que poderiam sofrer.

O Jornal das Senhoras, fundado no Rio de Janeiro em 1852 pela argentina Joana Paula Manso de Noronha, expôs em sua primeira edição uma crítica ao mercado editorial que não abria espaço para mulheres, quiçá mulheres na chefia, assinalando com sarcasmo: “ora pois, uma Senhora a testa da redação de um jornal! que bicho de sete cabeças será?”[3] Em outro artigo de autoria anônima, a autora denunciou os riscos que a publicação sofria, queixando-se: “quem sabe, se o innocente Jornal das Senhoras, não vae soffrer algum auto de fé privado. Fallar nos direitos, na missão da mulher, na sua emancipação moral! Máo, máo; isto não é leitura que se deva permittir nas casas de familia.”[4] O Jornal das Senhoras teve uma vida breve, circulando entre os anos de 1852-1859, mas abriu espaço para que outras publicações feministas começassem a surgir, como O Sexo Feminino, O Bello Sexo, A Familia, O Quinze de Novembro do Sexo Feminino, etc.

Se no Brasil oitocentista a maioria dos periódicos voltados ao público feminino era escrito por homens – geralmente padres e médicos higienistas – e falavam sobre maternidade, casamento e religião, imaginem a blasfêmia que era um jornal escrito por mulheres sobre pautas feministas? Josefina Álvares de Azevedo, Francisca Senhorinha da Mota Diniz, Narcisa Amália, Nísia Floresta, Violante Atalipa Ximenes Bivar, Gervásia Numésia Pires dos Santos Neves, Anália Franco e muitas outras conheceram bem as reações antifeministas do período, e já denunciavam as dificuldades para sobreviver no mercado editorial.

O cenário atual não é muito diferente. É óbvio que com o surgimento da internet a circulação de textos ficou mais fácil, mas se as feministas do passado tiveram que criar seus próprios jornais, as feministas do presente precisam se virar com seus blogs pessoais sem qualquer tipo de publicidade. Ganhos financeiros ou mesmo visibilidade para um grande público praticamente não existem, e mesmo as páginas de organizações reconhecidas, como o Geledés, possuem um número de visitas muito inferior ao de um grande portal. Quando o feminismo é abordado em uma página mais popular, não é raro vermos um homem sendo chamado para escrever sobre ele, e até mesmo as páginas da esquerda dão preferência a um jornalista já conhecido em lugar de uma mulher, um negrx ou uma pessoa trans* para falar sobre os seus movimentos sociais.

Além disso, temos um outro grande problema no nosso mercado editorial: ele é feito por QI, o famoso “quem indica”, e não é segredo para ninguém que muitas vezes aquele jornalista descolado conseguiu uma coluna por ser amigo de alguém do editorial. Meritocracia é uma ilusão, e são poucos os que conseguem uma coluna por escreverem realmente bem. Ninguém é gênix e xs superdotadxs estão ganhando dinheiro na NASA ou na Microsoft. Somos pessoas comuns batalhando para sobreviver, com a diferença de que algumas têm sorte de ganhar a vida fazendo o que gostam, enquanto outras precisam se virar com o que têm.

Se existem poucxs mulheres, negrxs, indígenas e LGBT’s escrevendo na grande imprensa, não é porque nós somos analfabetxs. É porque nos empurraram para o limbo, que é o nosso lugar.

Só que não!

Tirei os prints de alguns veículos de comunicação que estão em evidência, apontando a diferença entre os números de colunistas mulheres X homens. Se eu fosse levar em consideração outras categorias, como orientação sexual, transgeneridade e raça, os resultados seriam ainda piores (clique nas imagens para ampliar):

 

REVISTA FORUM

Revista Fórum e seus colunistas. Mesmo hospedando o blog das Blogueiras Negras, a maioria dos escritores ainda são homens.

CARTA CAPITAL

Shame on you, Carta Capital! De 29 colunistas, apenas UMA MULHER.

REVISTA VEJA

Prestem atenção na seção de “política, economia e opinião” da revista Veja. Nenhuma mulher…

VEJA VARIEDADES

Em compensação tem algumas mulheres na seção “variedades”, seja lá o que isso for.

ISTOÉ

Revista Istoé mais equilibrada, mas ainda tem apenas 4 mulheres para 10 homens.

Referências:

[1]SWAIN, Tania Navarro. “História: construção e limites da memória social”. Disponível em <http://www.tanianavarroswain.com.br/chapitres/bresil/his%20construcao%20e%20limites.htm#1>. Acesso em 30 Jul. 2014.

[2] Segundo José Murilo de Carvalho, a cidade do Rio de Janeiro recebeu 166.321 imigrantes só no ano de 1891. Ver: CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi, São Paulo: Companhia das Letras, 2011, p. 16.

[3] NORONHA, Joana Paula Manso de. “As nossas Assignantes”. In: O Jornal das Senhoras: modas, litteratura, bellas-artes, theatros e critica, Tomo I, quinta feira, Rio de Janeiro, 1 de janeiro de 1852.

[4] “Quem sou eu e os meus propositos”: In: O Jornal das Senhoras: modas, litteratura, bellas-artes, theatros e critica, Tomo I, Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 1852, p. 12.

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Entre o “homexplicanismo” e a interlocução: o bom senso, please!

No texto anterior eu fiz alguns comentários sobre a historicidade da opressão e como certos grupos como negros, mulheres e LGBTs vêm sendo vítimas de determinadas instituições há séculos, tendo como foco o caso das mulheres e a Igreja católica. Como a minha metodologia é a análise de fontes escritas, eu opto por trabalhar com a categoria “discurso” segundo as propostas de Michel Foucault e Roger Chartier que 1) compreendem o debate como um campo de concorrências e 2) nesse campo de concorrências o interesse não está limitado, apenas, em sair vencedor de uma discussão, mas também está em jogo a conquista da autoridade de fala (sendo Foucault quem mais trabalha com esse ponto de vista). Por isso que em várias pesquisas das ciências humanas, sobretudo na história, damos especial importância às questões “Quem fala? Porque fala? De onde fala?”. Essas perguntas não tem apenas o interesse de sanar dúvidas sobre as biografias dos autores de nossas fontes, mas também de inseri-los nesse campo de concorrências, levando em consideração a sua formação intelectual, a sua nacionalidade, o seu gênero, a sua raça, a sua condição social/econômica, etc. Quem trabalha com história política certamente está bastante familiarizado com esse cenário, mas ele também pode ser notado em diversas pesquisas da história cultural, já que a cultura, tanto a popular quanto a erudita, também é produtora de discursos e representações, se inserindo em diversos “campos de batalha discursivos”.

Se no passado esses embates existiam, o mesmo ocorre no presente, sendo a luta social o espaço perfeito para a concorrência. Aliás, ela existe justamente para concorrer com poderes hegemônicos, ás vezes como identidade de resistência e/ou de projeto.¹ No caso dos movimentos feministas esse embate pela “autoridade de fala” já foi percebido, e também foram identificadas diversas formas de silenciamento das vozes femininas, como o que volta e meia acontece com vítimas de estupro, que de vítimas são transformadas em algozes. A própria acusação de “misandria” é constantemente utilizada para deslegitimar feministas, colocando-as como odiadoras de homens, e em contrapartida o termo “homexplicanismo” é utilizado para deslegitimar as vozes masculinas que fazem afirmações que podem desagradar algumas ativistas.

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O “homexplicanismo” é uma expressão que surgiu identificando o local de fala do interlocutor, e sendo ele homem, aponta para o privilégio que este teria na pirâmide social de uma sociedade machista. O blog Feminismo Sem Demagogia dá duas definições para o “homexplicanismo”:

“A primeira, clássica, é quando o homem quer ensinar à mulher quando ela tem o direito de se sentir oprimida e quando não tem. Geralmente, acontece quando uma mulher aponta o machismo do homem e ele adota uma postura auto-defensiva, embora aparentemente cortês, é violento à suas própria maneira, querendo explicar por que aquilo que ele fez não foi machismo.

[…]

A segunda forma de mansplaining é querer ensinar a uma mulher algo que ela já sabe e demonstra claramente saber porque uma mulher necessariamente não teria capacidade intelectual para compreender um determinado assunto. Se ela acha que entende, está se superestimando. Por exemplo, querer ensinar a uma mulher que já sabe sobre mecânica, sobre futebol, sobre economia, sobre qualquer coisa que, supõe-se, mulheres não têm capacidade de entender.”

A partir disso faço duas perguntas: O “homexplicanismo” existe? Ele realmente acontece? Sim, sendo eu mesma testemunha de vários episódios. Mas nem todas as situações em que um homem tenta explicar algo a uma mulher pode ser considerada “homexplicanismo”. Da mesma forma que uma mulher também pode silenciar o discurso masculino acusando-o de “patriarcalista” ou “colonizador” sem que ele tenha se portado como tal.

Em algumas páginas feministas bastante populares eu percebo que o termo “homexplicanismo” é utilizado à exaustão, e já presenciei situações muito chatas em que um homem, por ignorância, disse algum equívoco e foi inundado de acusações. Mesmo sem se portar como um “homexplicador”, e inclusive admitindo o seu erro e dizendo que gostaria de aprender mais, ele foi tratado de forma bastante ofensiva e no final teve todos os seus comentários apagados.

Por mais que saibamos que situações como essa não são regra na sociedade, sendo muito mais comum acontecer justamente o contrário, esse tipo de comportamento (que infelizmente se tornou padrão em algumas páginas feministas) pode causar danos à luta social, prejudicando a interlocução com outros segmentos. Também estou cada vez mais convencida de que os nossos lugares como oprimidos e opressores não são fixos, sendo possível ter esses papeis trocados e nos vermos hostilizando alguém sem necessidade.²

Não existe consenso sobre aceitar ou não a participação de homens no feminismo, sendo algumas ativistas favoráveis, outras completamente desfavoráveis e outras a favor, mas com certos limites. Como eu compreendo o feminismo como uma identidade de projeto que visa a formulação de uma sociedade mais igualitária, e como o gênero masculino é “só” a outra metade da humanidade, contar com a colaboração dele é essencial para sairmos do gueto e colocarmos esse projeto em prática: sem abaixar a cabeça para episódios de “homexplicanismo”, e sem tratar todos os homens como “homexplicadores”. Na dúvida, sigamos o bom senso.

[Editando]

Parace trollagem do destino, mas no minuto exato em que publiquei esse post, a página Anarco Miguxos publicou essa foto, retirada diretamente de uma página machista. Nesse caso não tenho dúvidas: homexplicanismo MESMO! Errou feio, errou rude.

anarcomiguxosmachistas

 

[/Editando]

Sugestões de leitura: 

CASTELLS, Manuel. O Poder da Identidade: A era da informação: economia, sociedade e cultura, v.2. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

CHARTIER, Roger. A História Cultural: Entre práticas e representações, Algés: Difel, 2002.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso, São Paulo: Edições Loyola, 2007.

 

¹ Manuel Castells vai trabalhar com três tipos de identidades. 1) a identidade legitimadora, que se manifesta nos atores e instituições que detém o poder; 2) a identidade de resistência que se manifesta em grupos historicamente oprimidos como reação à opressão; 3) a identidade de projeto, que propõe formas e soluções para a vida social. Por vezes identidades de resistência se transformam em identidades de projeto.

² Isso de forma alguma modifica ou minimiza a historicidade da opressão sobre certos grupos, como tratei no post anterior.

A historicidade da opressão: algumas elocubrações sobre gênero no Malleus Maleficarum.

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Nos círculos acadêmicos e nas conversas informais é recorrente o uso de argumentos que visam desqualificar as lutas sociais com base em uma suposta existência de igualdade universal. Então ouvimos discursos, por vezes até bem intencionados, do tipo “nem 100% branco e nem 100% negro. Temos que lutar contra todas as formas de racismo” ou “o sexismo é péssimo! Chega de misoginia e misandria!”. Esse tipo de fala está ignorando todos os processos históricos que construíram a diferença, e partem da premissa de que todos os seres humanos estão em pé de igualdade. Na legislação brasileira essa igualdade é afirmada no Art. 5º de nossa Carta Magna, que diz “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.” (Constituição, 1988) É ótimo que essa diretriz exista em nossa Constituição, e seria ótimo que o Estado brasileiro agisse para promover essa igualdade de fato. Contudo, essa premissa de igualdade é virtual, uma vez que na vida cotidiana as diferenças falam mais alto do que as semelhanças, condenando diversos grupos a uma estrutura de poder e dominação que dificultam a sua emancipação.

Essas estruturas são construções históricas que não deixarão de existir de um dia para o outro, e para essa desconstrução ocorrer adentramos um processo de luta e resistência bastante desgastante. É isso que os movimentos sociais vêm fazendo desde o início, como o movimento feminista, o movimento negro, o movimento LGBT, o movimento operário, etc. São esses movimentos, também, que chamam a atenção para a historicidade da opressão. As regras, valores e códigos de conduta de uma sociedade fazem parte de uma herança histórica, que por meio dos discursos vão se perpetuando e se resignificando nas sociedades.

Para ilustrar essa questão, falarei um pouco da situação das mulheres que estou mais familiarizada, lembrando o meu lugar de fala como mulher branca, cisgênero, heterossexual, feminista e historiadora. Como exemplo, utilizarei o manual inquisitorial Malleus Maleficarum: o martelo das bruxas, documentação do século XV escrito pelos monges Kramer e Sprenger. Muitas pessoas, sobretudo mulheres, foram queimadas nas fogueiras do Santo Ofício com base nessa obra. Segundo Pimentel o título propõe uma “interpretação da bruxaria como prática essencialmente feminina.” (PIMENTEL, 2012) E como a bruxaria representa uma prática religiosa satânica para o cristianismo, nada melhor do que demonizar as mulheres associando-as a ela.

Logo na primeira parte a obra vai explanar sobre a tendência feminina de se sujeitar ao mal, como se existisse algo inato nas mulheres que as impelisse para as práticas diabólicas. O livro é feito de questões, e uma das primeiras perguntas é “A respeito das bruxas que copulam com demônios. Porque as mulheres são as principais adeptas às superstições malignas?”Malleus Maleficarum responde que, além de homens e mulheres serem diferentes em suas constituições, essas diferenças ultrapassam as questões biológicas e se tornam, também, morais. Dessa forma, as mulheres são um sexo mais frágil e mais sensível à superstição, e acabam ficando mais vulneráveis às investidas demoníacas. O documento também vai citar diversos autores que defendem a existência de uma malícia própria ao gênero feminino, desde Séneca que afirma que “Uma mulher ama ou odeia; não há uma terceira alternativa. E as lágrimas de uma mulher é um engano, pois podem brotar de uma pena verdadeira, ou ser uma armadilha. Quando uma mulher pensa sozinha, pensa o mal até a Bíblia Sagrada, que em Eclesiastes 25 diz: “Não há cabeça superior à de uma serpente, e não há ira superior à de uma mulher. Prefiro viver com um leão e um dragão, que com uma mulher malévola.” Para não ser injusta, a obra vai mencionar a existência de diversas mulheres “santas”, cuja bondade foi digna de reconhecimento. Contudo, essas mulheres perseguiram um ideal de fé e castidade que as afastaram da influência maligna, como a própria Virgem Maria, que segundo o catolicismo concebeu seu filho sem pecado e assim morreu, sem nunca ter experimentado os prazeres da carne. A Virgem Maria tem sido utilizada até hoje como representação do ideal de mulher cristã: Mãe, esposa, pura e casta. Um modelo impossível de ser atingido por nós, reles mortais, que nunca seremos escolhidas para dar à luz a um salvador.

A Igreja sempre foi uma instituição normatizadora, cujo poder de influência resiste aos séculos. O casamento religioso foi um instrumento utilizado por ela para domar os corpos, as vidas e a fé no interior das famílias. No Brasil a instituição só perdeu esse poder regulador após o advento da República, quando o casamento civil foi instituído em 1890. Antes disso, todos os que estavam à margem da fé católica estavam, também, à margem da vida civil, tendo que se contentar com uniões ilegítimas e ausência de direitos de sucessão. Dessa forma, no interior da família nuclear patriarcal a mulher deveria ser domada, controlada pelo seu marido para se afastar de todas as más influências. O casamento era visto como um mecanismo para mantê-la “na linha” e inseri-la na tarefa de “crescer e multiplicar-se”, uma necessidade da cristandade que almejava o aumento populacional de seus fiéis. Se as mulheres deveriam servir para algo, certamente era para a reprodução. Nós: incubadoras por excelência.

Nossa inferioridade ao gênero masculino, também chamado de “homem” para se referir à “pessoa universal”, foi reafirmada durante séculos por meio de discursos religiosos e morais, como o Malleus Maleficarum, que é só mais um exemplo de tantas outras fontes que assim fizeram. Esses discursos estão inseridos em determinados contextos históricos e não sumiram completamente das instituições. Pelo contrário: eles estão incrustados em suas estruturas, tendo participação em sua construção. O Código Penal em vigência no Brasil, que data de 1940, ainda utilizava expressões como “mulher virgem” e “mulher honrada” há nove anos atrás, propondo uma diferenciação entre mulheres “santas” e “profanas”, em que a primeira é digna de alguma consideração pelo “bom comportamento” ao contrário da segunda, que se for vítima de algum crime será considerado de menor gravidade.

Partir do princípio de que toda a humanidade está em pé de igualdade e afirmar que todas as formas de discriminação são iguais, é uma argumentação que mascara e silencia as diferenças que a sociedade continua perpetuando. O homem branco, cisgênero, heterossexual e com poder econômico nunca foi denunciado sistematicamente por diferentes instâncias durante séculos, como aconteceu com mulheres, negros, lgbt’s e demais minorias. Com isso não quero propor que todas as mulheres saiam por aí pregando ódio aos homens ou que negros saiam queimando brancos na fogueira, mas que as discriminações sobre nós possuem uma historicidade que nem de longe se assemelha a um episódio isolado de “misandria”¹ ou ódio aos europeus. Tratar essas discriminações da mesma forma é uma distorção dos processos históricos que nos fizeram chegar até aqui.

 

Referências:

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal: Centro Gráfico, 1988.

BRASIL. Código Penal (1940). Decreto-lei nº 2.848 de 7 de dezembro de 1940.

KRAMER, Heinrich; SPRENGER, Jacobus. Malleus Malleficarum: o martelo das bruxas, 2007. Disponível em: <https://saravea.net/file/download/13005&gt>. Acesso em: 20 Abr. 2014.

PIMENTEL, Helen Ulhôa. “Demonologia, bruxas e estereótipos”. In: Trilhas da História, Três Lagoas, v. 1, nº 2 jan-jun, 2012, p. 33-54.

 

¹ Por isso mesmo não dou ouvidos a quem recorre à denúncia de que as feministas são “misândricas”, uma vez que essa pessoa está desconhecendo que, ao contrário da misoginia, a misandria sequer faz parte de uma estrutura de poder e dominação como é o patriarcado. Fora que as feministas que se reconhecem como “misândricas” são uma minoria no movimento, e geralmente esse ódio vem como uma reação a alguma violência sofrida por ser mulher. Portanto, não tem como comparar a reação do oprimido com a violência do opressor. Acredito sim que quando alguém recorre à denúncia de misandria, na verdade está querendo silenciar os movimentos de emancipação feminina, diminuindo a sua importância (mesmo sem nenhum conhecimento de causa).

O satanaz abrindo as portas do inferno!

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Nana Queiroz, essa moça bonita da foto acima, é a criadora da campanha internética #NãoMereçoSerEstuprada, em resposta aos resultados bizarros da pesquisa do IPEA. A campanha recebeu inúmeras participações de mulheres e homens que se posicionaram contra o estupro – O Satanaz também participou! -, e também os depoimentos de muitas vítimas que aproveitaram para reagir contra as violências que sofreram.

Entretanto – sempre tem um entretanto – muitas pessoas reagiram à campanha de forma raivosa. Ou questionando a eficácia da pesquisa – sem ao menos apontarem quais os seus problemas metodológicos – ou falando o que toda mulher já está cansada de ouvir – “a culpa é do estuprador, mas as mulheres também tem que colaborar se dando respeito” – ou agindo de forma deliberadamente odiosa, ameaçando as participantes da campanha e a própria Nana de estupro.

Quer começar o dia com o pé esquerdo? Leia os comentários desse texto da Nana publicado na UOL. Eu facilitarei para você reproduzindo alguns, porque sou expert em acabar com o dia dos outros! Não se engane: não é porque é primeiro de abril que o conteúdo desse post é de mentirinha.

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Muitos comentaristas se incomodaram com as fotos de algumas meninas parcialmente nuas, como a pessoa acima que acha que a roupa – ou a ausência dela – é a causa para a ocorrência de estupros. Vou nem entrar no mérito de que a maioria dos estupros ocorrem dentro de casa – no Distrito Federal 85,2% dos casos ocorrem dentro da casa do agressor ou da vítima -, e que aqueles que são cometidos por um indivíduo desconhecido no beco escuro tem muito mais a ver com a oportunidade de estuprar sem ser visto por ninguém, do que com a roupa que a vítima está usando. Uma mulher de minissaia no meio de uma multidão tem menos chances de ser estuprada do que uma mulher que tem que caminhar do ponto de ônibus até a sua casa à noite, na volta do trabalho. E acreditem, ela pode estar usando burka que não vai ser um impeditivo para o estuprador.

Fora a péssima compreensão semiótica. Algumas mulheres optaram por participar do protesto nuas para destacarem que a roupa não é a causa dos estupros, e para se empoderarem de seus corpos. Isso vai dar numa outra discussão: uma mulher que faz com o seu corpo algo que foge das expectativas do status quo vai sempre incomodar. Uma mulher nua, muitas vezes fora do padrão, que se despe fora de um contexto midiático ou carnavalesco – muitas vezes visando o deleite masculino – incomoda tanto quanto uma mulher que não corresponde aos padrões indumentários de feminilidade.

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Esse comentário tem tantos equívocos que nem sei por onde começar, então vamos ao ponto principal do autor que é “as mulheres não devem facilitar o estupro”.

Nenhuma mulher cresce sem ouvir que não deve dar chance ao azar. De todas as minhas amigas, inimigas, parentes, conhecidas, vizinhas, nunca vi uma só delas não tendo o mínimo de cuidado necessário para não sofrer violência sexual. Muitas de nós – eu inclusa – evitamos sair sozinhas à noite, evitamos roupas curtas, evitamos até entrar em um ônibus lotado, tudo para não sermos estupradas. Contudo, os estupros continuam acontecendo e os números não parecem diminuir. Qualquer uma de nós pode ser vítima de abuso, desde uma senhorinha evangélica até uma jovem panicat.

Quanto a esse lance de mulher “vulgar” não conseguir se casar, poupe-me! Como se todas nós sonhássemos com o príncipe encantado.

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Não, nós não perdemos o respeito. O respeito é nosso por direito, independente da roupa que usamos e do nosso comportamento sexual. Ser “promíscua”, beber e falar palavrão não é crime. Estuprar é.

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Um típico caso de male tears revolts com uma mulher que decidiu reagir. Mesmo se ela estivesse de burka falariam que o que ela quer é “chamar a atenção”. Próximo!

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Pobres homens! São tão fracos e são constantemente agredidos por mulheres com suas roupas curtas e seus comportamentos promíscuos! #CadêoGoverno?!

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Opa, ele está aqui. Descobrimos de quem é a culpa da violência sexual no país: do PT! Pronto, problema resolvido!

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Comunismo malvado! Desviando a atenção de coisas realmente importantes para se preocupar com a violência sexual. Who cares?

Mas então fiquem com o recado de uma das preferidas de Satã, Valeska Popozuda! #BeijinhoNoOmbro para todos os machistas. Nós, mulheres, seguiremos na resistência!

 

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O Satanaz odeia estupradores!

Para quem está na luta feminista há muito tempo, os resultados da pesquisa do IPEA estão longe de serem uma novidade. Quando a pesquisa foi divulgada nessa última semana a primeira coisa que pensei foi “eu já sabia!”. Contudo, gostei quando vi grande parte de meus amigos e amigas – sem nenhuma intimidade com o feminismo – chocados com a conclusão da pesquisa e aderindo à campanha #NãoMereçoSerEstuprada. A tomada de consciência é o primeiro passo para a emancipação, e é bom que mais mulheres estejam cientes da forma como são vistas e tratadas pela sociedade.

Entretanto, muitas pessoas não gostaram do resultado e chegaram a questionar a pesquisa. Nada contra, a pesquisada está sendo divulgada para isso mesmo. Mas vejo uma dificuldade em conceber que 65% da população acredita que uma mulher mereça ser estuprada pela roupa que usa. Ora, não é isso que vemos o tempo inteiro? Abra qualquer notícia de estupro em um grande portal de notícias e chore lendo os comentários.

Inúmeros argumentos servem para jogar a responsabilidade da violência no colo das mulheres: o tamanho de suas roupas, a hora em que estavam andando na rua, se estavam sozinhas ou não, se beberam demais. Alguém aí lembra do que ocorreu com as garotas estupradas pelos membros da banda New Hit e os protestos em apoio aos estupradores?

Também vi muita gente incluindo na discussão a necessidade de se tomar certos cuidados para não sofrer violência sexual: se vestir de forma mais recatada, não andar na rua sozinha, não beber demais. Queridos, daqui a pouco estaremos que nem o governo da Arábia Saudita, culpando o uso de rímel pelo aumento dos estupros.

Não vou me alongar muito. O Satanaz é feminista e condena às chamas do inferno todos os estupradores, espancadores e stalkers de mulheres.

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Manual de sobrevivência da mestranda.

Após a graduação a maioria das pessoas normais vai entrar no mercado de trabalho, começar a fazer concurso público ou então casar com algum herdeiro de família rica. Já as anormais, insanas ou simplesmente viciadas no ambiente acadêmico, vão tentar entrar numa pós graduação para conhecerem o maravilhoso universo da pesquisa.

Embora não seja o ideal, vejo muitos apelando para o mestrado para estenderem um pouco mais a vida de estudantes. Já outros querem só o título, não importando se a pesquisa vai desvendar a cura para a AIDS ou se será sobre as variações na coloração das maritacas do cerrado goiano. Ou simplesmente podem ser como eu, que acham que possuem um tema muito bom que merece ser explorado pela academia (mesmo que estejamos errados na maioria das vezes). Para todos os casos é melhor seguir os conselhos de quem já passou por isso, e é exatamente essa chance que darei a vocês hoje. Grande parte do que escreverei aqui está baseado no que não se deve fazer. Experiência própria!

a) Antes de tudo: Creio que toda instituição minimamente séria cobre prova de idioma, prova escrita, projeto e entrevista, então não adianta não se preparar. Não interessa se um professor da banca é seu amigo ou se aquele cursinho de inglês que você fez quando tinha 15 anos era muito bom. Tem que sentar a bunda na cadeira e comer os livros, a menos que você seja a reencarnação do Albert Einstein ou algo assim. Já vi muita gente que foi fazer a prova escrita se gabando porque na faculdade apresentou um seminário muito bom sobre Roger Chartier e se ferrou bonito. Da mesma forma que vi muita gente achando que saberia ler e traduzir um texto técnico por ser capaz de assistir Procurando Nemo sem legenda.

O projeto também é MUITO importante. Não faça como eu que redigi o meu em duas semanas. Prepare-o com carinho como se estivesse indo para a qualificação e peça ajuda de alguém mais experiente para revisá-lo. Salve um manual das normas da ABNT em seu computador, em seu e-mail, em todos os seus pen drives, em seu tablet ou smartphone. Se preciso for, cole esse manual até na geladeira para não esquecer. O projeto poderá ser a sua salvação caso você tire notas medianas nas outras etapas. No meu caso, eu só passei na seleção porque fiquei em primeiro lugar na prova escrita, e hoje reconheço que o projeto que apresentei era muito fraquinho para os padrões acadêmicos.

Para quem nunca estudou outro idioma eu aconselho um curso instrumental. Eu fiz um curso de inglês de um semestre e foi graças a ele que fui aprovada. Olha, para quem não sabia nem o verbo to be até que eu saí melhor que a encomenda. Para quem acha que inglês instrumental é enrolação e não serve para nada, só digo uma coisa: na minha seleção teve gente que estudava em curso regular há anos e foi reprovada. Então beijinho no ombro!

b) Não sei como são as provas de outras áreas, mas nas ciências humanas geralmente você se depara com uma bibliografia indicativa IMENSA que vai fazer você sentir vontade de roubar a ritalina do filho da empregada (juro que quase fiz isso uma vez). Aí colega, a única coisa a fazer é ler o máximo que puder. Muitas vezes os editais repetem a bibliografia da seleção anterior, então nem espere sair um novo para já ir estudando as obras indicadas. Se acontecer de o edital sair com uma bibliografia completamente diferente um mês antes da prova, azar. Pense que nenhum conhecimento vem em vão e roube a ritalina do pentelho!

Cada pessoa tem uma técnica de estudos diferente. Comigo é a seguinte: vou fazendo anotações de tudo o que estou lendo e pensando em possíveis questões que podem cair na prova. Na história as questões são subjetivas e você pode escrever o quanto quiser (pelo menos comigo foi assim). Então não tenha medo de viajar, porque muitos professores fazem exatamente isso ao elaborarem a prova. Essa estratégia de pensar em questões que podem cair deu super certo comigo porque, vejam só, uma delas realmente caiu – rysos!

c) Não basta estudar para a seleção, você precisará de um orientador. Entre no lattes de todos os professores, veja qual deles trabalha com uma linha de pesquisa parecida com a sua e seja cara de pau. Entre em contato falando sobre o seu projeto e pergunte se ele estaria interessado em orientá-lo. Já vi gente que se matriculou como aluno especial só para fazer uma média  investir nisso, mas eu não iria tão longe assim. Acho que um encontro no departamento com uma conversa franca resolve tudo.

obs: Já ouvi falar de professores que não queriam o projeto do aluno e tentaram convencê-lo a fazer outro. Não quero cortar nenhum barato, mas pense que você vai passar dois anos de sua vida se dedicando a algo trabalhoso, muitas vezes chato, então para ser uma tarefa minimamente aturável prazerosa, é bom que seja um tema que você ame e se identifique. Se não tiver como negociar com o professor, e se o projeto que ele propôs deixou seu útero completamente seco e infértil, é melhor partir para outra. Paciência! Quem não tem tempo a perder é você e não ele.

d) Estudou inglês? Comeu todos os livros? Deu pro Michel de Certeau? Passou na seleção? Então descanse tudo o que tiver para descansar antes de iniciar o semestre letivo, porque muito provavelmente essas serão as últimas férias que você terá em dois anos ou mais. Mestrando não tem final de semana, feriado ou férias, e gostaria de ter descoberto isso antes. É feriado e todo mundo está indo acampar na Chapada? É carnaval e seus amigos vão alugar um ap em Salvador? É natal e sua família vai comer peru? FODA-SE. Enquanto todos se divertem, descansam ou trepam você vai estar no seu quarto trabalhando na companhia de Foucault, isso se não estiver ouvindo Creep e pensando em suicídio.

e) O semestre letivo começou e o conselho mais importante para esse primeiro passo é: não caia na lorota da doutoranda maluca que disse que pegar mais de duas matérias ficaria muito pesado, pois se ela tem quatro anos para cumprir tudo, você tem apenas a metade do tempo. Se matricule em todas as disciplinas que você puder, porque olha, quando você estiver no último semestre com créditos faltando irá se arrepender.

O ideal mesmo é matar todos os créditos no primeiro ano e ficar com o segundo livre só para poder se dedicar integralmente à dissertação. Se eu tivesse feito assim, provavelmente já teria defendido e já seria mestra.

f) Se você é bolsista provavelmente terá que fazer estágio na graduação. O conselho do ítem D também cabe aqui. Faça o seu estágio o mais rápido possível. Geralmente você vai  acompanhar as aulas do seu orientador e lecionar algumas vezes. Combine tudo direitinho com ele e pense que será apenas por um semestre. Já vi muitas pessoas reclamarem dessa fase, alegando que os alunos não respeitam os mestrandos, mas comigo foi super tranquilo. A experiência só seria mais prazerosa se eu não tivesse que acordar cedo para dar aula logo no primeiro horário do dia.

g) Escreva, escreva, escreva. A gente sempre acha que terá tempo para fazer isso depois SÓ QUE NÃO EM CAPS LOCK! Se for possível escrever todo dia desde o início do curso, faça-o. Pense assim: o que eu prefiro? Começar a escrever agora e cumprir todos os prazos ou parar no psiquiatra com síndrome do pânico?

Vai por mim.